Do lado de fora

sábado, 24 de outubro de 2009

Frustração. Era o que se lia nos rostos daqueles que caminhavam diante do Teatro 4 de Setembro nesta sexta-feira (23), penúltimo dia do 13º Festival de Dança de Teresina. "Depois reclamam que o povo não quer prestigiar a cultura, que não se interessa pelas manifestações artísticas", desabafou Amparo Melo, professora da rede municipal de ensino.

Com o Teatro 4 de Setembro parcialmente interditado por ação preventiva do Corpo de Bombeiros, boa parte do público do Festival teve que se contentar em tentar ouvir algo das apresentações do lado de fora. Dos 380 lugares no térreo do teatro, foram liberados apenas 200. O primeiro e segundo andares não podem ser utilizados, porque neles não existem saídas de emergência. Os ingressos acabaram bem cedo, mas ainda ficou muito gente numa fila um tanto confusa, diante da bilheteria escura e vazia. A palavra "desrespeito" pôde ser ouvida muitas vezes no hall de entrada do teatro.

O prazo que o Ministério Público Estadual deu ao Corpo de Bombeiros para que o Teatro 4 de Setembro fosse interditado acabou precisamente hoje (23). Os bombeiros se adiantaram, determinando já no dia 16 de outubro que a Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC) restringisse o utilização do teatro. Como a agenda para o resto do ano está lotada, a interdição total causaria consideráveis prejuízos aos empreendedores de eventos.
 
Com os empreendedores desafogados, os prejuízos sobraram para a população. "Nada foi comunicado, não tinha ninguém para organizar. Muitas mães nem puderam ver os filhos se apresentando, porque tem poucos lugares", diz Maíse Saraive, estudante de Administração de Empresas que se deixou ficar sentada no chão do hall.  

 O que aconteceu com o Festival de Dança provoca discussões sobre a estrutura que o estado do Piauí oferece para as manifestações culturais. O Teatro 4 de Setembro era referência, até que o Corpo de Bombeiros divulgou o laudo que declarou as precárias condições de segurança do local. Com as recomendações administrativas, algumas medidas emergenciais foram tomadas, a exemplo da troca dos extintores de incêndio. Ainda devem ser realizadas reformas, para que sejam abertas saídas de emergência nos pisos superiores e para que as escadas sejam adaptadas. O processo pode ser lento porque o teatro é patrimônio tombado, e alterações que impliquem na mudança da configuração original do prédio não são permitidas. Até que a situação seja regularizada de todo, a cultura piauiense fica desfalcada.

Ouça as declarações do professor de dança Júlio César de Sousa, diretor de um escola de balé de Teresina.




Veja os antecedentes do caso no Apolo News.

Texto, fotos e áudio: Shaianna Araújo
(shaiannaaraujo@hotmail.com)

2 comentários:

Iza Glória disse...

Sinceramente o que fizeram com todas as pessoas que ali estiveram presentes foi uma tremenda falta de respeito. Todas as pessoas ali presentes estavam na van esperança de conseguir entrar para conferir o espetáculo. E quando menos se espera ouve-se a notícia que os ingressos acabaram.... E agora!!!....ficamos ali mesmo no Hall de entrada sem ter nem mesmo uma informação precisa do que de fato estava acontecendo sem saber o porque que esses ingressos haviam se esgotado tão rapidamente...Eu e todas aquelas outras pessoas ficamos ali jogados no Hall todos cheios da infinita esperança que teimava em permanecer em nossos corações. Sempre soprando em nossos ouvidos se surgir uma pequena brecha para entrar naquele bendito Teatro...EU ENTRO...........Bobagem fomos todos embora frustados...ñ conseguimos entrar de jeito nenhum

_________Um abraço e parabéns Shaianna....pena que ñ publicou meu comentário feito durante a entevista realizada entre eu e meus queridos amigos jogados ali no cantinho do Hall do nosso querido Teatro 4 de Setembro.
Bjos

6son! disse...

Parabens Apolo,vc soube transmitir de fato a atmosfera do local...

grupos de fora se apresentando,muitos grupos da capital...
mas triste como o publico foi tratado
pena...
triste para cultura desfalcada e dependende de apenas um teatro.